A segurança pública no Brasil enfrenta um desafio que transcende a mera repressão policial. Por trás dos altos índices de violência e da crescente adesão de jovens ao narcotráfico, desenrola-se uma guerra cognitiva sutil, mas devastadora, orquestrada por setores influentes da sociedade: a grande mídia e a universidade ideologizada. Esta coluna se propõe a desvelar como essa articulação ideológica atua, transformando o criminoso em vítima e o combate ao crime em opressão, pavimentando o caminho para que o crime se torne uma opção sedutora e, pior, aparentemente compensadora para a juventude.
O cerne desta estratégia reside na romantização do crime e na sistemática vitimização do criminoso. A narrativa dominante, veiculada por grandes veículos de comunicação e replicada em salas de aula e trabalhos acadêmicos, insiste em desvincular o indivíduo de sua responsabilidade, atribuindo sua conduta criminosa a falhas estruturais da sociedade. O traficante, o assaltante, o membro de facção, deixa de ser um agente de violência e passa a ser retratado como um "excluído", um "oprimido" ou uma "vítima do sistema".
Essa inversão de valores é a base da bandidolatria. Ao invés de condenar a violência e o terror impostos pelo crime organizado, esses atores sociais se dedicam a contestar toda e qualquer atividade policial ou de repressão. Cada ação das Forças Legais – sejam elas polícias militares, civis, federais ou Forças Armadas – é imediatamente colocada sob suspeita, questionada em sua legitimidade e, frequentemente, condenada antes mesmo de qualquer apuração isenta. O foco é desviado da barbárie cometida pelos criminosos para a suposta truculência do Estado.
A universidade, que deveria ser um farol de pensamento crítico e busca pela verdade, em muitos casos, transformou-se em um celeiro de ativismo ideológico. Teorias que defendem o desencarceramento e a minimização da punição são propagadas como verdades absolutas, ignorando o clamor da população por segurança e justiça. O resultado prático dessa política é a percepção, por parte do jovem em situação de vulnerabilidade, de que o crime, de fato, compensa. A falta de punição concreta e a rápida reinserção no convívio social, muitas vezes incentivada por essa mesma retórica, tornam o risco da atividade criminosa um cálculo aceitável.
É neste ambiente de relativização moral e glamourização da vida bandida que o narcotráfico encontra seu campo mais fértil para o recrutamento. A guerra cognitiva pinta o estilo de vida do crime como algo glamuroso, um atalho para o poder, o dinheiro e o respeito, em contraste com a vida de trabalho honesto, que é retratada como árdua e sem perspectivas. O jovem, seduzido por essa imagem distorcida, é cooptado para a linha de frente do crime, tornando-se a peça mais descartável e exposta da engrenagem.
E aqui reside uma das maiores hipocrisias dessa narrativa: a forma como os verdadeiros líderes do crime organizado se comportam em contraste com a exposição dos jovens recrutados. Enquanto a juventude, imbuída da ideologia da resistência e da "guerra" contra o Estado, é encorajada a confrontar as Forças Legais, os líderes de facção demonstram um pragmatismo brutal.
Os chefes que são confrontados pela polícia, quando sua vida está em risco real, preferem a prisão à resistência. Eles se entregam, muitas vezes sem oferecer qualquer combate, pois sabem que a prisão, no Brasil, é um ambiente onde podem continuar a exercer sua liderança, gerenciar seus negócios e, graças à retórica da vitimização, até mesmo gozar de certas regalias e proteção legal. A prisão é um inconveniente logístico, não o fim de sua carreira criminosa.
Em contrapartida, os jovens cooptados, aqueles que absorveram a narrativa da resistência heroica, são os que se expõem ao confronto direto, tornando-se estatísticas de violência e mortalidade. Eles são os peões sacrificáveis, enquanto os verdadeiros líderes, os arquitetos do mal, preservam-se para continuar a operar. Essa disparidade de comportamento é a prova cabal de que a ideologia da "guerra" é um veneno destinado apenas aos mais vulneráveis e ingênuos.
É imperativo que a população brasileira compreenda essa estratégia de manipulação. A guerra cognitiva visa minar a confiança nas instituições de segurança e justiça, enfraquecer o Estado de Direito e, por fim, garantir a impunidade e a expansão do poder do crime organizado. O questionamento é a única defesa: será que o que está sendo apresentado como notícia ou análise acadêmica não vem carregado de um viés e de motivações ideológicas que servem, em última instância, aos interesses dos criminosos?
A defesa das Forças Legais e o apoio irrestrito à atividade policial de repressão ao crime não são atos de autoritarismo, mas sim a defesa da própria civilidade e da vida em sociedade. É preciso desmascarar a retórica que transforma o bandido em herói e o policial em vilão. Somente quando a sociedade rejeitar essa contaminação ideológica e exigir a verdade e a punição exemplar, o crime deixará de ser visto como um caminho e os altos índices de violência que hoje nos assolam começarão a recuar. A verdade é a primeira e mais poderosa arma contra essa guerra cognitiva.
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